01/06/2010

Paixão pela Toscana

Posted in Sopa de Letrinhas tagged , , , , às 5:36 pm por Paula R.

“Em Camúcia, a cidadezinha animada aos pés do morro de Cortona, o dia de feira é a quinta-feira; e eu chego lá cedo, antes que o calor se instale. (…)

Nos dias de feira, um par de ruas fica fechado ao trânsito. Os feirantes chegam cedo, descarregando de caminhões e furgões construídos para essa finalidade o que parecem ser lojas inteiras ou gôndolas de supermercado. Uma caminhonete vende o pecorino da região, o queijo de leite de ovelha que poder ser macio e quase cremoso ou curado e forte como um celeiro, além de algumas peças de parmesão. O queijo curado é friável e delicioso, uma maravilha para mordiscar enquanto passeio pela feira.

Estou caçando e recolhendo alimentos para um jantar para novos amigos. Meus furgões preferidos pertencem aos mestres da porchetta. O porco inteiro, com salsa trançada no rabo, maçã ou cogumelo grande na boca, fica estendido na tábua de corte. (…) Pode-se comprar um panino (um pãozinho de casca dura) com nada além de fatias de porchetta para levar para casa, magra ou com a pele gorda e crocante.

(…) Na Califórnia, planejo cardápios com antecedência, embora costume improvisar quando faço compras. Aqui, só começo a pensar quando vejo o que está maduro na semana. (…) Aprendi afinal que o que se compra hoje está pronto: colhido ou arrancado hoje de manhã no maior viço. Isso também explica outro enigma. Nunca entendi por que as geladeiras italianas são tão pequenas, até descobrir que eles não guardam os alimentos como nós guardamos.”

(Trecho do capítulo “A mesa comprida à sombra das árvores”, de Sob o sol da Toscana)

É esse tom de pequenas descobertas cotidianas que rege o livro Sob o sol da Toscana – Em casa na Itália, da americana Frances Mayes, lançado em 1996 lá fora e dois anos depois por aqui pela Rocco – há também a versão de bolso que li, que é de 2008.

Enquanto o filme de mesmo nome, que é mais famoso, é uma comédia romântica sobre uma mulher recém-separada que se muda para a Itália para recomeçar a vida, a verdadeira Frances Mayes é uma professora universitária e escritora de meia idade que compra uma casa na Toscana para passar os verões com Ed, seu segundo marido.

O livro conta a compra da propriedade Bramasole e todo o desafio da reforma e de tornar suas terras cultiváveis novamente – com direito a pomar e até a própria produção de azeite. E, é claro, nenhuma narrativa sobre a Itália passa incólume por sua culinária. A autora sempre teve afinidade com a gastronomia e ficou encantada com o universo de sabores que descobriu. Inclusive, dedicou dois trechos do livro a receitas que aprendeu por lá – depois vou postar umas aqui no blog.

É também interessante o choque cultural entre o ritmo corrido de sua rotina norte-americana, morando numa cidade grande e com uma profissão intelectual, e as férias em que visitar construções históricas, cozinhar, caminhar pelos campos e, literalmente, pegar na enxada são suas principais atividades. Para mim, que sou descendente de italianos, foi curioso perceber que algumas coisas dignas de nota para a autora e os leitores de sua terra são mais do que comuns por aqui.

O ritmo da narrativa é lento e bem descritivo, mas, por outro lado, retrata com clareza sua experiência. Recomendado para quem tem interesse pela cultura italiana, para quem já viajou para lá, pretende ou gostaria de viajar.

(Fotos: Charis Tsevis/ stock.xchng + capa da L&PM Pocket)

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3 Comentários »

  1. Fernanda said,

    Foi mesmo muito legal encontrar este blog. Além de fã q sempre fui da Ofélia (foram tantas manhãs…) e os assuntos aqui abordados sempre me agradam. sou apaixonada pela Toscana e no último Natal presenteei uma amiga com…exatamente este livro. Acho q vou pedir emprestado.
    ;-)))

  2. […] comentei no post sobre o livro Sob o sol da Toscana, selecionei algumas receitas citadas pela autora Frances Mayes, […]

  3. […] de solo, altitudes e temperaturas, por isso produz tantos tipos de vinhos diferentes. No livro Sob o sol da Toscana, também dá para perceber o quanto o vinho, assim como o azeite e a comida, é importante para o […]


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