25/10/2010

O começo, um desbravamento

Posted in Sopa de Letrinhas tagged , , às 4:45 pm por Paula R.

Quando escutava alguém dizendo que “não cozinha”, acho que não sabia exatamente o que isso significava. Acabava comparando com o meu não-cozinhar, que é o de quem não cozinha como um chef, nem como minhas avós, minha mãe ou a dona Luci. Sou uma cozinheira de subsistência. Uma curiosa. E só.

Um arroz, um feijão e um ovo mexido que fosse imaginava que a gente já nascesse sabendo, mas esse conceito caiu por terra quando criei este blog. Vi que muita gente não sabia e queria aprender. Comecei a escrever receitas explicadas tintim por tintim. Prestei “consultoria” por telefone aos amigos mais chegados. Me senti muito útil pra falar a verdade.

O curioso é que, mesmo assim, acho que não sabia o que era alguém que prefere viver sem colocar os pés na cozinha. Até esse final de semana. No domingo, foi a open house de uma grande amiga, que não é muito afeita ao fogão, por isso algumas de suas convidadas ficaram responsáveis pelo cardápio do dia.

Eu não estava entre as escaladas, mas me prontifiquei a preparar os aperitivos e a ficar de assistente, picando aqui, lavando ali, comprando o que faltava no supermercado ao lado. E não faltavam só ingredientes. Faltavam panelas, tábua, escorredor. Faltava sal. Sim, sal! Mas a verdade é que talvez o verbo certo nem seja faltar, pois a ela não faz falta nada disso. Ela não cozinha.

O gostoso desse dia foi ver como é o desenrolar de um almoço na inauguração de uma cozinha. Os pratos foram preparados a tantas mãos, que o fogão perdeu as contas. Teve comida mexicana, prato inspirado em livro da Isabel Allende, receita vegetariana e, em meio à ordem estabelecida no caos, tudo acabou ficando uma delícia. De sobremesa, cupcakes fofos de uma amiga confeiteira e um pudim de chocolate feito pela dona da casa – o primeiro prato preparado por ela que comi (e a gente se conhece há 17 anos!).

Teve vidro quebrado, pimenta ardida e gente que precisou ir embora antes de tudo ficar pronto, mas também teve encontros, reencontros, risadas, samba batucado na máquina de lavar roupas, cantado em coro por amigos que já se sentiam em casa. E não é exatamente isso que a gente quer quando abre a porta para recebê-los?

* Ju, vida longa e próspera na casa nova!

(Foto: Michal Zacharzewski/Stock.xchng)

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2 Comentários »

  1. Lilian Nakashima said,

    E enquanto eu acompanhava aquele vai-e-vem na cozinha, as surpresas com a falta de palelas, sal, pratos e outras coisitas básicas numa cozinha, me emocionei ao sentir que naquela nova casa não faltarão AMIGOS que estarão sempre ao lado da dona dessa cozinha desprovida.
    Olha que incrível… Pra mim, cozinha é lugar de afeto, um lugar mágico. Eu jamais pensei que uma cozinha sem quase nada, nem sal, nem panelas, pudesse ser tão rica e especial. Até participar dessa open house!

    Foi uma delícia, né Paula!

    Faço coro com vc: Ju, vida longa e próspera na casa nova!

    Bjs!
    Lili (envaidecida com os elogios aos cupcakes!)

  2. CaLi said,

    Juuuuuu….
    Tb estou de casa nova e sei o quanto é gostoso….receber os amigos é melhor ainda!!!
    Boa sorte!!! Bjão querida


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