06/08/2014

O mundo cabe no Brás

Posted in Bares/Restaurantes tagged , , , , , , , , , , , às 10:38 pm por Paula R.

imigrante01

Dia 26 de julho, fui na 19ª edição da Festa do Imigrante, que aconteceu no Museu do Imigrante, antiga hospedaria para quem chegava a São Paulo entre os séculos XIX e XX. Foi minha quinta participação no evento e sempre saí satisfeita com minhas descobertas. Infelizmente, desta vez, escrevo o post depois da festa ter acabado, mas acho que vale como algo para entrar na “to do list” do ano que vem.

Todo ano eu e meus amigos temos uma estratégia infalível: chegar às 10 horas. Parece cedo para já pensar em almoçar, mas é o tempo ideal para chegar, comprar as fichas e fazer o reconhecimento do local, olhar o que as barraquinhas estão oferecendo e ficar com dúvidas sobre por onde começar. Isso tudo antes da festa lotar.

Sempre tento evitar repetir pratos para ampliar meu repertório culinário, mas alguns revivals são inevitáveis. No total, gastei R$ 50 e saí muito bem alimentada, às 16h30. A festa também traz barraquinhas de artesanato, danças típicas – meu sobrinho adorou o “tambor japonês”! –, passeio de maria fumaça e, esse ano, contou com a reabertura do museu, que estava em reforma. A exposição está linda e muito bem montada! Vale à pena visitar.

Bulgária

imigrante3imigrante4

Na edição passada, fiquei com vontade das burekas búlgaras, uma espécie de salgado folhado em forma de “donut”, porém, quando fui provar, elas já haviam acabado. Este ano não quis perder a oportunidade, mas acabei sendo seduzida por um outro item da barraca: o tivenik também no formato redondo, o quitute era adocicado, com recheio de abóbora, damasco e nozes.

Uma delicinha. A unidade saiu por R$ 6.

Índia

imigrante5

Alternando com paladares já conhecidos, minha segunda opção foram as tradicionais samosas indianas, pasteizinhos com recheio de vegetais e com direito a molho agridoce apimentado. Duas por R$ 7.

México

imigrante6

A barraca mexicana, assim como ano passado, estava representada pelo restaurante Obá, especializado em culinárias brasileira, mexicana e tailandesa. Acredito ser o único exemplar de restaurante mais refinado a conduzir uma barraquinha na festa. Me avisem se estiver enganada.

A tostada de massa crocante com pasta de feijão, guacamole, vinagrete e queijo vale cada centavo dos R$ 9. Há duas opções de pimenta para acompanhar. Fiquei com a mais fraca e, mesmo assim, queimei a língua. Only for the braves. rs

Egito/Turquia

imigrante9

imigrante2

Dividi um donner kebab, mais conhecido como “churrasco grego”, com uma amiga. O sanduíche é montado no pão sírio, com tiras de carne bovina, tomate, repolho, batata frita e molho de iogurte. O que provamos ano passado, com o pão assado na hora, era imbatível, mas esse também nos deixou felizes. R$ 20 que valem uma refeição.

De sobremesa, investi num ninho de damasco com calda de laranjeira que estava incrível. R$ 7 por cada doce. Foi difícil resistir a experimentar as versões de amêndoas, nozes figo, ameixa…

Destaque para o cartaz “Freedom for Gaza”, que fazia parte da decoração do estande.

Lituânia

imigrante7

Por falar em doces, não poderia deixar de falar da barraca lituana, parada obrigatória desde que conhecemos a festa. Esse ano não consegui reservar um espaço para uma torta inteira, mas belisquei as dos meus amigos. Os sabores são leves e, em geral, levam frutas vermelhas, damasco ou pêssego. R$ 7 a fatia.

Alemanha

imigrante8

Sempre me recuso a visitar as barraquinhas de culinárias às quais estou mais do que acostumada, como as da Itália ou Japão, mas não resisti a beber na da Alemanha. O chopp escuro Braumeister Dark de 500 ml saía por R$ 9.

Nota: adorei o fato do rótulo trazer o personagem do filme “O Homem que Ri” (1928), que inspiraria a caracterização do Coringa – aquele mesmo, o inimigo do Batman.

Rússia

imigrante10

O campo das bebidas, entretanto, não ficou livre de experimentações. Na barraca russa, compramos o kvass, apelidado por eles como o “primo da cerveja”, provavelmente pelo processo de produção que envolve fermentação. O grau alcoólico é de apenas 0,5%. O copo saía por R$ 6.

Entre as opções de abacaxi com hortelã e a de beterraba, ficamos com a segunda, mais exótica. O sabor é, digamos, de beterraba. Não é doce nem salgado e, pra mim, me satisfaria em dias em que tenho vontade de tomar água com gás.

Também fomos seduzidos pelo cartaz que dizia: “Diga não ao imperialismo! Conheça o kvass, a Coca-Cola do Leste Europeu”. O kvass tem tudo para entrar na minha lista obrigatória, assim como a chicha morada ou “suco de milho roxo”, um sucesso da barraca peruana.

Armênia

imigrante11

Antes de ir embora, para gastar as últimas fichas, pedimos uma omelete com bastãrmá (carne seca armênia), servido no pão sírio. O prato era feito na hora e foi um dos melhores pedidos do dia. R$ 10 e delicioso!

Só fiquei um pouco chateada por não ter sobrado nenhum espacinho para comer os pierogis poloneses – recheados de batata e queijo e com pitadas de boas lembranças. Já sabem onde me encontrar ano que vem.

Serviço:
Festa do Imigrante
Local: complexo da antiga Hospedaria de Imigrantes
End.: Rua Dr. Almeida Lima, 900, Mooca, São Paulo
Entrada: R$ 6
www.museudaimigracao.org.br/festadoimigrante

(Fotos: Paula R.)