11/09/2017

Saudade de feijão tem nome?

Posted in Receitas de salgados tagged , , , , , , , , , , , às 6:06 pm por Paula R.

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Feijão em conserva da marca dos supermercados Ahorra Más (Madri, ESP)

Coxinha. Pão de queijo. Requeijão. Muçarela. Doce doce-de-verdade. Mandioca. Pão francês. Suco de fruta natural. Manga. Banana. Pizza boa. Enfim, neste tempo que tenho vivido na Espanha, a listinha de comidas que dão saudade sempre cresce, mas talvez, do dia a dia mesmo, o que eu mais sinta falta seja o feijão.

Não que não exista feijão aqui para comprar – não há o carioquinha nem o preto que estamos acostumados, por exemplo. O que é meio raro encontrar nas casas é panela de pressão; elas são caras e as pessoas não têm o hábito de usá-las, pois muita coisa já se compra cozida. Uma coisa leva a outra e o resultado é que acabo fazendo mais vezes lentilha para acompanhar meu arroz – o que é uma delícia, mas não é feijão.

Muitos grãos e legumes são vendidos já cozidos em vidros por aqui – feijão, lentilha, grão de bico, feijão branco, repolho e até beterraba -, mas confesso que acho meio esquisito. Sempre dou preferência para os itens frescos, mas às vezes me rendo à “alubia canela” um tipo de feijão que acho que se aproxima mais aos nossos.

Cubanos, sul-americanos e africanos

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Prato “ropa vieja” do restaurante cubano La Negra Tomasa (Calle de Cádiz, 9, Centro – Madri). O lugar é super turístico, mas o tempero é de vó. 🙂

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Feijoada do Ares Brasil, restaurante brasileiro em Tetuán (Calle de Fereluz, 2 – Madri). A feijoada costuma ser aos finais de semana, mas melhor ligar para reservar.

Foi há pouco mais de 5 anos que descobri que nosso hábito de comer arroz e feijão vem da África. Estava numa Festa do Imigrante, em São Paulo, quando me deparei com um menu angolano de arroz, feijão, picadinho de carne e banana da terra frita e, “plim”, caiu minha ficha!

Como aqui em Madri só conheço um restaurante brasileiro (e que agora está longe de casa), quando a saudade aperta – principalmente de feijão preto -, recorro aos restaurantes cubanos, sul-americanos e africanos que encontro por aí. Os pratos vêm com arroz, carne desfiada, banana, salada… Há neles um certo ar de parcial universalidade, de identificação mesmo, como um elo com certas origens que nada têm a ver com este Velho Mundo. É bom.

Como salvar um feijão em conserva

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Feijão com carne moída virando chili beans.

Para tirar aquele gosto de “comida de bunker de guerra”, seguem algumas dicas para quem quer se arriscar nos feijões prontos:

– Escorrer e lavar os grãos já cozidos.
– Reservar um punhado e adicionar o restante a um refogado de alho, cebola e azeite na panela. Se gostar de bacon, refogar um pouco picadinho, junto com os ingredientes.
– Cobrir com o dobro de água, colocar no fogo médio e adicionar os temperos que está acostumado (sal, pimenta do reino, louro etc.).
– Amassar os grãos reservados e acrescentar à panela. Mexer esporadicamente e deixar abrir fervura para engrossar o caldo e fixar os temperos.

> Para quem tem panela de pressão, a receita de feijão está aqui.
> Com feijão cozido dá para fazer chili!

*** Dedicado a todos meus amigos brasileiros, que estão por perto nesta loucura que é  viver longe de casa.

Fotos: Paula R./ Órfã da Ofélia

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23/10/2016

Matando a saudade

Posted in Por aí, Uncategorized tagged , , , , , , , , às 9:19 am por Paula R.

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Nos últimos anos, não foi fácil manter a frequência de posts por aqui. Aquela história de que a vida dá voltas etcetera e tal. Mas não vim dar desculpas, nem fazer promessas que não vou cumprir, portanto, vamos aproveitar o momento. E o momento é de que bateu uma saudade de escrever no Órfã e compartilhar um pouquinho da minha relação com a comida.

Muita gente não sabe, mas estou morando na Espanha há um tempinho – mil coisas para contar, fotos de comidas registradas, comidinhas preferidas, mas, para esse retorno, escolhi falar justamente daquilo que faz falta quando se está longe de casa.

Tenho um grupo de amigos brasileiros aqui em Madri e tentamos nos encontrar sempre que dá. Incrível como faz bem estar perto de gente da terrinha! Dia desses, num feriado de outubro que também é feriado no Brasil, resolvemos fazer um “almoço brasileiro” para aquecer o estômago numa tarde de chuva.

O esquema foi colaborativo; cardápio decidido no grupo do Whatsapp, cozinheiros voluntários e receitas com e sem carne, para agradar todo mundo. Teve:

arroz (tem que comprar o arroz largo, porque o redondo é para paella e risotos e fica uma papa só. Descobri empiricamente.)
feijão (grande, avermelhado e de lata, mas que cumpriu bem o papel para aplacar o banzo)
farofa (com receita goiana)
linguiças (chistorra e chorizo para fazer as vezes da toscana)
couve e acelga refogadas
mandioca frita (que aqui se chama yuka e demorou um tanto para ficar pronta no fogão de vitrocerâmica)
moqueca vegetariana (na panela de barro vinda do Brasil!)
brigadeiro
pé de moleque

A couve e o docinho junino ficaram por minha conta.

A saga da couve

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Engraçado como ingredientes tão comuns no Brasil exigem um certo trabalho de detetive para serem encontrados. Assim aconteceu com a couve. O primeiro desafio foi descobrir como ela se chamava em espanhol, uma vez que a couve idêntica a que temos eu nunca encontrei. Chegamos à conclusão de que o que há de mais perto da nossa é a berza, que tem o gosto e textura bem parecidos, porém com uma diferença marcante no visual: ela é toda crespa.

Não é algo que se encontra nos supermercados comuns e comprei a minha no “Mercado de las Maravillas”, no bairro de Tetuán, por indicação de uma amiga. Encontrei um único exemplar no mercado inteiro e, como o almoço seria para 15 pessoas, também levei um maço de acelga para complementar.

São João fora de época

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Para fazer o pé de moleque, encontrei o amendoim cru no mesmo mercado nas lojas de produtos latinos. O meu vinha do Peru e era um pouco maior (e sem pele) do que os brasileiros tradicionais para cozinhar. O leite condensado já se encontra nos supermercados regulares e precisei dele, pois a receita que fiz, na verdade, é de pé de moça – um clássico na minha família. Para lembrar de todos os detalhes, falei com minha tia, dona da receita original, e deu tudo certo. Quem quiser se aventurar, o modo de preparo está aqui, num passado remoto do Órfã.

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No fim das contas, foi um dia de mão na massa, boas risadas, comilança desenfreada e brasileirada feliz – os espanhóis que participaram do almoço também parecem ter aprovado o menu. Talvez só tenha faltado uma caipirinha pra fechar com chave de ouro. E uma coxinha, um pão de queijo, suco de fruta natural, queijo minas, doce de leite, quindim, banana…

07/09/2015

Temos bananas!

Posted in Por aí tagged , , , , às 5:58 am por Paula R.

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Em Roma, banana é fruta exótica – assim como o abacaxi, o kiwi e o limão tahiti. Agora é só provar pra ver se tem gosto da terrinha.

15/04/2015

Unfair Menu

Posted in Filmes/TV tagged , , às 3:36 pm por Paula R.

Sugestão da casa: veja o vídeo antes de ler o post!

Vídeo gravado no Ramona – que eu ainda não conheço! – para uma campanha com teor feminista sobre a desigualdade salarial entre homens e mulheres. Apesar do tema alimentação ser apenas um contexto para falar de algo maior, achei que valia compartilhar aqui. A iniciativa é da agência Agnelo Comunicação.

(Via Catraca Livre)

30/03/2014

Brazilian menu

Posted in Filmes/TV tagged , , , , às 10:18 pm por Paula R.

O episódio dos Simpsons que vai ao ar hoje nos EUA se passará no Brasil. O capítulo parece girar em torno de futebol, mas dá direito a uma parada para jantar no Figueira Rubayat, de São Paulo. Coisa fina.

:. Dica da Carol L., via Papel Pop.

02/08/2011

A comida nas Artes – parte 14

Posted in Artes Plásticas tagged , , , , às 10:30 pm por Paula R.


O Vendedor de Frutas, 1925, Tarsila do Amaral (1886-1973, BRA). Óleo sobre tela.

02/07/2010

Fim da festa

Posted in Por aí tagged , , , às 2:23 pm por Paula R.


Torcedor durante a derrota Brasil 1 x 2 Holanda.

(Foto: reprodução do Estadão)

29/06/2010

Brasil 3 x 0 Chile

Posted in Por aí tagged , , , às 11:59 am por Paula R.

Eu gosto do Chile. Foi o primeiro país que conheci fora de casa e tenho ótimas lembranças daquelas férias. Lá, conheci a neve e o Oceano Pacífico. Foi a primeira vez que tomei vinho de caixinha longa vida, Andina – um suco de damasco ou pêssego tipo “Del Valle”, coisa que não existia por aqui ainda –, cazuela – uma sopa de carne e legumes para aguentar o frio – e comi mariscos em conserva direto da lata. Eles vinham em três tamanhos: cholga, choro e chorito; eu e minhas irmãs adorávamos repetir esses nomes.

Todos nos recebiam muito bem e eram simpáticos quando sabiam que éramos brasileiros, exceto no dia em que estava passando na TV um jogo entre Brasil e Uruguai (eu acho). Ninguém no restaurante torcia para a seleção amarela. No futebol é assim. Eu gosto do Chile, mas Copa do Mundo é Copa do Mundo.

25/06/2010

Nem bacalhau, nem feijoada

Posted in Por aí tagged , , , às 1:58 pm por Paula R.


Joguinho mequetrefe esse Brasil 0 x 0 Portugal. Tinha até me programado para postar receitas típicas dos dois países, mas desisti. Ninguém se esforçou muito e o resultado insosso agradou aos dois lados, que passaram para a próxima fase. Agradou aos times, é claro, porque as torcidas ficaram só na vontade.

(Foto: autor desconhecido)

21/06/2010

Mais convincente

Posted in Por aí tagged , , , , às 9:57 am por Paula R.

Nada melhor para comemorar a vitória do Brasil sobre a Costa do Marfim do que uma bela feijoada. Neste domingo, a festança se deu na casa da minha tia Lu, no interior, que reuniu parte da família para engrossar a torcida pela seleção. Além de um prato recheado – com bastante laranja como eu gosto –, faturei o bolão que fizemos com o resultado de 3×1. Claro que não ganhei sozinha, mas saí (bem) no lucro.

Nota: vale registrar que achei muito feia a simulação do jogador marfinês que resultou na expulsão do Kaká. Nem gosto do garoto-propaganda da Gillette, mas uma atitude dessas mancha o espetáculo.

(Foto: Paula R.)

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