18/12/2017

“Ursinho Puff”, meu chinês em Madri

Posted in Bares/Restaurantes tagged , , , , , às 11:29 am por Paula R.

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Amante que sou da comida oriental, confesso que, nessa minha temporada em Madri, vivo com saudade dos restaurantes da Liberdade, em São Paulo. Não sei se o tipo de comida não emplacou aqui ou se a presença pequena de descendentes japoneses são os responsáveis por isso, mas a boa notícia é que, finalmente, encontrei um restaurante chinês para chamar de meu.

Como li num outro blog é “o restaurante chinês que a gente não fala o nome muito alto para que não subam os preços ou surjam filas”. O restaurante se chama Xiongzai, mas na fachada está escrito apenas 熊仔解馋坊, assim em ideogramas mesmo. Por conta da decoração inusitada, é conhecido entre os ocidentais como “Winnie The Pooh” ou o restaurante do “Ursinho Pooh” entre os brasileiros – na minha época chamávamos de Ursinho Puff!

O lugar é simples, bem localizado, muito barato (muito mesmo) e a comida é excelente! Dividi com uma amiga uma sopa de talharine de arroz, algas e carne ( 3,50), dim sum de camarão e caranguejo no vapor (4 unidades por 3,90) e bao de pato com cogumelos (3 unidades por 3,50). Para beber, uma cerveja chinesa por $ 1,95. Comi muito bem e gastei $ 7,35!

O cardápio é pequeno, o que costuma ser um bom sinal. Neste tempo frio, as sopas são uma boa pedida – cuidado com a picante, que é mesmo muito picante -, mas os dim sum e baos são obrigatórios. Quero voltar para provar todos os sabores!

Se alguém quiser conhecer, só me chamar.

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Restaurante Xiongzai
Calle San Leonardo, 3
Próximo ao metrô Plaza de Espanha
Madri (ESP)

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20/12/2012

Do céu ao inferno

Posted in Bares/Restaurantes tagged , , , , , , , às 2:28 pm por Paula R.

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Depois de fechar com chave-de-ouro nossa estadia em Cusco, descemos aos porões da gastronomia peruana, quiçá mundial. Foi em Arequipa, no interior do Peru. Chamada de cidade branca por conta do material usado em suas construções, a cidade é rodeada por vulcões e é famosa pela Juanita, a jovem múmia andina, e os passeios para o Vale do Colca, o segundo maior cânion do mundo e lar dos condores gigantes.

Sim, esse é um blog de comida. E, sim, me empolguei nas observações turísticas. Talvez esteja querendo justificar porque fui parar lá. Arequipa tem um bairro de restaurantes chiques, nos arredores da igreja de São Francisco – com filiais do Gastón Arturo e casas com culinárias de outros países, inclusive o Brasil –, mas nosso orçamento mochileiro não permitiu tais regalias.

Chegamos na cidade num domingo e não encontramos quase nada aberto. Perto do bairro onde estávamos hospedados havia uns restaurantes com instalações caseiras, alguns carrinhos de comida de rua  e um ou outro restaurante chinês, conhecidos como “chifas”.

Optamos pelo maior e mais frequentado chifa, chamado La Gran Muralla. Era preciso decidir e pagar o prato antes de sentar. Escolhi um arroz “chaufa”, frito com shoyu, legumes e frango, com uma “wantan” (sopa de macarrão e legumes) de entrada. O preço do deslize: 6 soles/  R$ 5,45.

O salão era enorme e tinha um bom fluxo de pessoal. Algumas moscas nos visitaram enquanto comíamos também. A sopa lembrava comida de hospital, aguada e com o macarrão mole demais, e o chaufa… Ah, o chaufa! Era gorduroso e insosso, com um sabor indescritível, que ainda hoje me dá arrepios só de lembrar.

Comi 1/3 do prato e abandonei. Mesmo com fome, fiquei sem apetite para procurar um novo lugar. À noite, preferimos fazer lanches no albergue. O trauma foi inevitável.

Aviso: a foto do chaufa pode ser visualizada no tamanho original. Pessoas impressionáveis, com problemas cardíacos ou crianças não devem clicar.

Serviço:
La Gran Muralla*
Calle San Juan de Dios, 312 – Int. l1
Cercado – Arequipa
*Segundo o Google, o endereço é esse. Para garantir, melhor evitar qualquer restaurante com esse nome na cidade.

:. Escrito em 9/abril/13. Mais sobre a viagem aqui.

(Fotos: Paula R.)

05/04/2011

Um tratado com resenha

Posted in Bares/Restaurantes tagged , , , , , , às 1:52 pm por Paula R.

Lembro de uma vez, quando era pequena, minha tia-avó que é geógrafa dizer que as melhores culinárias do mundo eram a francesa e a chinesa. Do alto do meu universo gastronômico que se resumia à tríade comida de vó-comida de mãe-comida italiana, pensei que aquela declaração era meio absurda por conta da fama da cozinha francesa, mas achei melhor não contestar.

Naquela e em qualquer outra época, acho que a gente não tem muitas chances de ganhar uma discussão com uma pessoa que tem cinco vezes a sua idade e conhece mais de meio mundo. Hoje, depois de uns 20 anos, saí do “cercadinho” e esse blog, como sabem, tenta ser um registro das minhas descobertas desse universo.

As culinárias japonesa e árabe figuram entre minhas favoritas, além da clássica italiana, e tenho adorado conhecer coisas novas, como a tailandesa, a indiana… Mas voltando ao mote inicial desse post, a cozinha chinesa costuma estar inserida em nosso dia a dia sem muito refinamento; no yakissoba da Paulista, no fast food de caixinha, na banana caramelada ou no rolinho primavera do restaurante por quilo (com direito a molho agridoce fluorescente).

Nunca tinha ido a um restaurante chinês, no máximo em alguma casa com menu “oriental”, que mescla pratos chineses e japoneses. Nunca tinha ido até esse final de semana. Por isso estou aqui.

Taizan, na Liberdade

Pesquisando restaurantes no site da RW, o Taizan ficou entre os pré-selecionados logo de cara, porém, só conseguimos visitar a casa no sábado, penúltimo dia do evento.  Li em algum blog que a fachada lembrava a do supermercado Dia e pude constatar que é verdade, mas, inspirada pelo Katsuki que se referiu ao lugar como “o chinês mais legal de São Paulo”, entramos.

Definitivamente, quem projetou o restaurante não foi o mesmo responsável pela reforma da fachada. O salão é amplo com uma parede de vidro com vista para bambus, que lhe confere uma boa claridade. Tem cara de restaurante das antigas e é. O Taizan foi fundado – por um japonês especializado em cozinha chinesa! – em 1970.

Do menu da Restaurant Week, escolhi o rolinho primavera com carne e legumes de entrada, o yakissoba especial (com fatias de carne bovina, frango, camarão e legumes) e bananas carameladas de sobremesa. Opções clichês? Podiam até ser, mas a questão aqui não era “o quê” e sim “como”.

O rolinho tinha crocância de massa caseira e o molho agridoce parecia ter sido feito na hora, nem muito doce, nem muito azedo. O prato principal, apesar de já comido em inúmeras versões, conseguiu surpreender: macarrão, legumes e carne no ponto, sem ser oleoso ou cozido demais. Pra fechar, as bananas demoraram um pouquinho para chegar, mas tinham sido fritas e carameladas na hora, o que faz uma diferença incrível na consistência.

Além disso, as porções eram as mais bem servidas que encontrei na RW e nem consegui terminar meu yakissoba – pelo que li por aí, os pratos da casa costumam mesmo ser generosos. Pela passada rápida que dei no cardápio, uma refeição lá talvez saia entre R$ 50 a R$ 70 por pessoa. Eu paguei R$ 29,90 e saí feliz, feliz.

> Cardápio completo no site da RW.

Serviço:
Taizan
Rua Galvão Bueno , 554
Liberdade – São Paulo-SP
Tel.: (11) 3208-9498
http://www.restaurantetaizan.com.br/

(Fotos: Rachel Ward/stock.xchng + reprodução do site da casa)